O Médio Oriente está em alvoroço. Os povos árabes parecem, finalmente, lutar pela sua liberdade. Fartos de corrupção, de passar fome e de não ter oportunidades, as populações da Tunísia, do Egipto, do Bahrein, da Argélia e, ultimamente, da Líbia revoltaram-se contra os seus dirigentes.
É importante perceber que estas revoltas não acontecem por acaso. É, também, fulcral entender que elas podem vir a ter sérias repercussões no mundo ocidental. Aquilo que se vive, por cá, é, de certa forma, muito semelhante. Fartos de ver os salários a serem reduzidos, o desemprego a aumentar, a justiça a não funcionar, os povos europeus, em particular o português, sentem aumentar sentimentos de injustiça e revolta. É verdade que aquilo que nos distingue dos povos árabes é a nossa maior liberdade, mas a que preço devemos nós pagar essa liberdade?. Será que para sermos livres devemos ter medo de perder o nosso emprego, ou passar por dificuldades para arranjar o nosso primeiro trabalho, ou mesmo viver na ansiedade de vir a não termos reformas?.
É por isso que não podemos olhar para aquilo que se tem passado no Médio Oriente com distanciamento ou desprezo. A coragem com que milhares de pessoas saíram às ruas para lutarem pelos seus direitos, deve ser vista, por, nós como um exemplo. A revolução Facebook, como muitos já lhe chamaram, já contagiou o nosso país. Dia 12 de Março, em Lisboa e no Porto, milhares de jovens pretendem sair à rua mostrar o seu desagrado. São jovens que vivem e trabalham em situações precárias. Será tempo dos políticos fazerem uma leitura realista dos acontecimentos. A elevada abstenção na últimas eleições, principalmente na classe mais jovem, não revela desinteresse mas sim descontentamento. Votar não é a única forma de exercer uma democracia activa. Protestar, reivindicar são ferramentas tão válidas como a participação pelo voto.
A sociedade parece querer assumir a sua parte de responsabilidade. Fartos dos lobbies políticos e da inércia dos dirigentes, as populações unem-se para poderem traçar um futuro melhor. As redes sociais tem um papel importantíssimo nessa união. A sociedade está de facto a mudar, através da união, do diálogo e da luta ( pacífica e civilizada ) todo nós temos a obrigação de mudar as coisas para melhor.

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