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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Obama e Futre: Quando as críticas se transformam em humor

Registei, nas últimas semanas, dois acontecimentos que penso ser bons exemplos de como se deve reagir de forma positiva à críticas. Os dois principais protagonistas foram Barack Obama e Paulo Futre. Paulo Futre foi durante semanas tema de conversa, em todo o país, devido a sua peculiar conferência de imprensa como director desportivo na lista de Dias Ferreira, nas recentes eleições para a presidência do Sporting. O ex-jogador de futebol foi criticado, elogiado, gozado por muita gente durante semanas. No entanto, aquilo que mais retenho dessa história , é o capacidade que Futre teve de se rir de ele próprio, deixo mesmo dois exemplos de como o ex-futebolista conseguiu transformar críticas em algo de positivo para ele:

Paulo Futre em campanha publicitária para uma marca a Licor Beirão

Paulo Futre aproveita a história do chinês para fazer sucesso num programa televisivo

Outro exemplo recente que se adequa bem à capacidade de lidar, de forma positiva, com as críticas é o de Barack Obama. O actual Presidente dos Estados Unidos tem sido alvo, nas últimas semanas, de críticas no que toca à sua cidadania ser ou não americana. Donald Trump, conhecido empresário norte-americano e possível candidato às presidênciais norte-americanas em 2012, chegou a desafiar Barack Obama para divulgar a sua certidão de nascimento, de forma a comprovar ser um verdadeiro americano. A resposta de Obama surgiu no jantar anual dos correspondentes da Casa Branca. Uma resposta com muito humor e uma boa dose de coragem.

Resposta de Barack Obama às críticas de Donald Trump

Estes dois casos mostram, na minha óptica, uma grande inteligência e humildade por parte de Obama e Futre.  Em situação de críticas explícitas e públicas estas duas pessoas conseguiram transformar situações menos positivas em momentos de grande humor e elevação pessoal. Penso que num momento em que tanto se fala de entendimento nos vários quadrantes políticos, Obama e Futres são bons exemplos para a classe política (e não só) portuguesa. Menos orgulho e mais humildade e humor podem fazer a diferença.

Reality Shows: Para onde caminha a televisão portuguesa?

Nas ultimas semanas, temos sido invadidos, nas nossas televisões, por mais uma rodada de reality shows. Agora até a RTP aderiu à moda. Do Peso Pesado da SIC ao Último a Sair da RTP, passando pelo Perdido na Tribo da TVI, os nossos principais canais não dão mãos a medir na luta pelas audiências.

Pessoalmente sou muito crítico deste tipo de programas. A qualidade que estes programas vêm acrescentar aos canais de televisão é na maior parte das vezes pouca ou nula. Penso que estará na hora das empresas de comunicação definirem claramente os seus objectivos. Ou as empresas de comunicação se definem como empresas tout court e aí o seu principal objectivo é a obtenção do lucro, nem que para isso seja feita em detrimento da qualidade, ou então assumem, verdadeiramente o seu papel de empresas de comunicação, com a sua cota parte de responsabilidade social ( e não é só o serviço público de televisão que o tem mas os privados também), onde estas em vez de descerem a um nível pouco abonatório do ponto de vista profissional, tentam sim "puxar" pelas suas audiências fomentando um espírito crítico na população que assiste aos seus programas. 


As audiências não devem ser atingidas a todo o custo. A comunicação social tem responsabilidades a que se tem, infelizmente, alheado. Os interesses económicos não podem ser sempre desculpas para tudo. Da minha parte prefiro ver a Grande Reportagem  da SIC do que o seu, infelizmente, famoso Peso Pesado. Estará, talvez, na hora de dar ao povo português mais informação e menos entretenimento. Até porque como muitos já disseram, um povo informado é um povo que consegue fazer face, mais facilmente, às dificuldades. E pelos vistos, Portugal tem, neste momento, muitas.